NÃO-LUGAR

em vários lugares, nunca inteiramente em um só.

você chegou.

algumas coisas eu escrevo porque não sei onde mais colocá-las.

Não-lugares que eu me encontro

24.08.2026

Não-lugares que eu me encontro,
desvalores que precificam a ausência de um novo encontro.
Um estado miserável de não caber nos seus planos,
seja por conveniência ou pelo meu próprio autoengano.

Idealizo. Penso demais.
E, de tanto pensar, quase desapareço.

Se aquilo que ofereço não é suficiente para que você corra o risco,
talvez eu precise aceitar que nem tudo aquilo que tenho para dar
encontra lugar em alguém.

Ainda assim, idealizo,
porque quero oferecer o melhor de mim.
Porque não sei se existe alguém que me caiba,
ou se aquilo que existe de mais profundo em mim
também encontrará espaço em alguém.

Não deveria transformar tudo em teoria.
Não há ciência exata para aquilo que sentimos.
Repito verbos, repito palavras,
talvez numa tentativa inútil de provar
que o tempo me transformou em alguém
em quem se pode confiar.

E talvez eu ainda erre.
Talvez ainda acerte.
Talvez seja isso que reste
depois de tudo que a vida fez comigo:

tentar.

Me deixe tentar.
Me deixe ser o colo
em que você possa descansar.

Caminha comigo,
mesmo que ainda não saibamos exatamente para onde.

Porque amor não é apenas aquilo que se sente.
É verbo.
É ação.

E, enquanto eu respirar,
eu me dedico.

— j.

fragmento do NÃO-LUGAR

#fragmento01

Tive de acolher a mim mesmo
Por que o que sentia
Não era digno de escuta, falei a esmo
Lágrima caia, direito pra um gaveteiro
Das dores mal-elaboradas e escondia também
Os devaneios
Os sonhos
E as sombras a deriva.

Gaveteiro desenhado a lápis

#fragmento02